sexta-feira, 16 de novembro de 2012

do quotidiano


escrevo-te sem grandes novidades. no tempo em que não falámos fiz pouco de novo. não experimentei nenhuma sauna nem explorei florestas. nada disso. o vício quotidiano apodera-se inexoravelmente, mas eu tento resistir-lhe, com pavor. os momentos contemplativos rareiam, o que deveria aumentar ainda mais a mecanizacão dos momentos do dia e a queda no lugar comum. mas haverá motivo para essa recusa não confessada? não, pelo contrário. é uma oportunidade ímpar para afinar tarefas e arrumar o quarto e a mente (que já tinham teias de aranha). é a altura em que as ideias podem florir.

a extensão do tédio rotineiro depende da criatividade dos pequenos pormenores e da forma como encaramos as pausas. a pausa pode nem entediar, se nos tentamos fascinar com as folhas de outono no chão, o chá que se partilha na faculdade, a forma caprichosa da nuvem passageira ou o episódio de Gossip Girl. mas essa última via arrisca-se a rocar a infantilidade pungente e rústica de Alberto Caeiro, à qual também olho de esguelha. é por isso que te devo pedir-te desculpa (antecipada ou não) se escrever demasiadas vezes sobre o quotidiano daqui para a frente. quotidiano é isso mesmo, um estado cíclico sem fim à vista, por isso não sei quantas mais vezes terei de o enfrentar. é uma batalha que eu espero não se transformar na Guerra dos 100 anos.

ontem comprei umas cervejas para levar à casa de um colega recém-conhecido no jogging. convidara o grupo para um filme em casa dele e deu-me a morada escrita. chegando ao prédio certo, o número 6B da sua rua, que eu julgava ser o andar, deparei-me com vários apartamentos de números de quatro dígitos, e senti tonturas. não tendo o número do Maxim no meu telemóvel, toquei a uma porta. abriu-me um queniano, que não o conhecia porque estava ali só dois meses. depois de uma troca de palavras, convidou-me a entrar, "com'in instead of waiting outside". como faltavam uns minutos para a hora marcada, aceitei. falámos durante quase duas horas, ele que estava em lund para aprender programacão e levar o conhecimento para o país dele. falámos sobre o futuro das plataformas open source, de que conhecia pouco, e do potencial dessas ideias em áfrica, para aproximar comunidades isoladas. também soube notícias alarmantes, como os colegas do David que sairam do Quénia para estudarem como construir uma central nuclear na costa do Índico.

finda a conversa, ouvi o filme do corredor, olhei para o relógio e o pudor impediu-me de bater à porta. mas, pedalando para voltar a casa, sentia que a troca tinha valido a pena. bem, terei de escrever a pedir desculpa pelo sucedido, mas o alibi do telemóvel é inigualável.

esta é a história do dia. depois de trabalhar um pouco vou tocar piano, mas quando estiveres por perto manda uma mensagem... pode ser que possamos falar. caso contrário (ou não) um relato teu será bem-vindo...

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