janela entreaberta.
cartas abertas a dois.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
limericks.
dos versos no book of nonsense de edward lear e das ilustrações de gabriella barouch (embora as originais sejam também fenomenais). há que fazer a nossa versão recontada.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
das manhãs.
As manhãs por aqui começam sempre da forma mais suave. Geralmente acordo um pouco mais cedo e movimento-me cuidadosamente na penumbra do quarto, os pés descalços - como parece ser hábito durante todo o verão - tacteando indolentemente o chão já marcado pelo pó e a areia que terceiros trazem da praia. É capricho meu, julgo. Pés desnudos no soalho são daqueles hábitos que apenas o verão parece trazer como culto, tal como vestidos mais leves, ou menos fome em dias de pleno calor. É pois neste culto inconsistente que me esgueiro sorrateiramente para fora. Os horários que correm na minha casa, principalmente nesta altura do ano, são certamente diferentes dos a que estás familiarizado - tudo dorme, geralmente até onde a manhã consegue ser generosa. Vejo os pés da minha irmã de fora da cama no seu andar de cima, a respiração calma elevando a pele em movimentos regulares. Saio em silêncio, ainda feita sombra. O terraço recebe-me sempre com a sua luz franca e geralmente pautado pelo silêncio das primeiras horas do dia.
Geralmente.
Ao som ritmado da água em plano de fundo e ao ocasional chilrear que me costuma fazer companhia, existe um som distante mas profundo de alguém a cortar a relva que prevalece sobre tudo o resto. Um avião passa, mais desse rugir que ecoa pela minha casa qual ode triunfal. Amaldiçoou-o secretamente por conspurcar o fraco retrato romântico que te procurava ilustrar, ainda que este som omnipresente já me tenha acordado bastantes vezes, bastante perto, por bastante tempo. O som pára. Apenas consigo ouvir algumas vozes dispersas e distantes, ainda fora do meu raio de visão mas rapidamente tudo emudece de novo deixando-me submergir na calma que tanto prezo quando me encontro aqui. O meu problema é que te escrevo isto tardiamente, quando os sons à minha volta já me lembram um quotidiano estranho e distante e quando aquela luz, cheia de pequenas transparências e nuances de um sol ainda tímido, já desapareceu. A preguiça por estes lados, no entanto serve-me bem. O cenário à minha frente pode não ser de todo de uma beleza exuberante, porém, só o facto da água correr com um ligeiro cheiro a relva que entra directamente neste alpendre aberto dá-me vontade de me abrigar aqui. Só um bocadinho e só quando o mundo parece estar estar vazio ou a acontecer noutro lado. Porventura poderias inclusivamente incluir-me num conto suburbano, onde tudo acontece deslocado na distância de uma fortaleza moderna, qual pequeno parque temático privado. Até tenho tenho as palmeiras para esse efeito e para acreditar que estou de férias. Eu, simulacro.
Seja como for, é sempre neste alpendre que gosto de ouvir a tua voz, de relembrar que há vida para além da minha pequena muralha inexpugnável e que há paixão para além do quotidiano. Que o verão ainda é nosso e cheio de promessas, que esta brisa morna e este restolho tímido das folhas têm um poder sobre mim que é o dos pensamentos luminosos, mesmo nos períodos mais exaustivos. Confesso que faltas tu. Ou aqui ou nos montes carregados de cerejas carnudas, inchadas das Donas. Tu com outro alpendre, outra varanda mais genuína que nunca poderia passar por parque temático, provavelmente na esperança de rematar o final do dia nas águas paradas da barragem ou de visita a qualquer aldeia remota. Ou no Alentejo tão vasto e pródigo de coisas para ver, ou na nossa Lisboa iluminada pelos miradouros e com tanta coisa a acontecer. Ou na tua cama ou na minha.
Do regresso das palavras e do amor à distância, aproveita tu o teu refúgio.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
obrigado por me chamares de volta
Suavemente, as luzes do carro deslizavam sobre o restolho de verão. A erva pisada ia libertando um odor puro e fresco, onde se imiscuem as mais profundas memórias de infância e o desejo ardente de que este ciclo estival se repita, ano após ano.
Apaguei as luzes do carro, e apenas via ao longe a luz ténue de um carro de namorados, que bem aproveitavam a noite morna. Ao lado olhei para a avó, que libertava um olhar vivo que não via há bastante tempo.
- Gostas deste sítio? - perguntei eu.
- É fantástico! Que vista!
Atrás da erva ondulante, mostravam-se os montes dos subúrbios, onde as luzes denunciavam aquelas toponímias que habitamos e que, ao mesmo tempo, fingimos não conhecer.
- É uma bela vista! - deleitou-se a avó.
- O que é que tudo isto te faz lembrar? - perguntei eu.
- Não sei. É uma cidade. - comentou, laconicamente.
- Pois a mim - anunciei, trinfalmente - parece um ser vivo. Os carros movem-se como o sangue nas veias e as luzes das casas são como as células; é como se cada uma iluminasse uma família diferente.
- Bem visto - rematou a avó, rodando a cabeça para melhor contemplar todo aquele presépio suburbano.
Saquei um livro, aquele livro que trouxe da biblioteca, e principiei a ler. Soluçando, tentei traduzir em voz alta para a avó ouvir. O texto referia-se à pintura do Palácio Público de Siena, Alegoria do Bom Governo, de Ambrogio Lorenzetti. Trata-se de um fresco que representa uma cidade coesa, onde os vários edifícios têm a mesma traça, os espaços públicos são acessíveis a todos e, ao redor da cidade, distinguem-se as searas que a alimentam.
Olhando ao meu redor, via uma cidade desesperançada, quase antagónica à Alegoria do Bom Governo, onde, apesar de tudo, os carros levam as pessoas saciadas do Dolce Vita Tejo. Mas os montes, iluminados parcialmente, anunciam um campo que já não é campo e uma cidade fragmentada entre alegrias e desventuras, condomónios privados e bairros sociais. Apesar da grandiosidade de um espectáculo pouco humano visto de cima, distingui, aqui e ali, a casa onde estariam amigos que fui conhecendo desde que sou gente: o Lamas, a Mafalda, as gémeas Rita e Cristina Martins, e o Carlos Azevedo. Pensei que na quantidade de pessoas conhecidas e desconhecidas que estaria naquela paisagem, ocultas sob aquela constelação de pontos luminosos.
Olhando para a avó, tentei imaginar o que é que o meu avô me teria para contar naquele momento. Com ele partilhara vários pôr-do-sol naquele sítio. Era frequente acompanhá-los como casal, ouvir as histórias de infância e as memórias mais ou menos presentes. Tal como eu estava a fazer naquele momento, o avô lia quando esperava pelas indecisões de uma avó livre e artística. E depois partilhava as suas leituras e as inquietações com quem estava junto dele, família ou amigos. E eu tive o privilégio de estar junto dele muitas vezes, e de confidenciar parte do meu crescimento.
Se o avô estivesse no lugar onde estava sentado, e eu no banco de trás, talvez me falasse da energia de fusão nuclear. Ou das manchas solares de hélio. Ou nos anos-luz de estrelas que a NASA descobriu no último ano. Mas naquele sítio, àquela hora, provavelmente o avô falar-me-ia da filosofia clássica, na Escola de Atenas, de Aristóteles e Platão, da suma Beleza, da suma Bondade, da Justiça e da Verdade a que o Habermas se referia. E depois, dir-me-ia que quando partisse, estaria no Céu a pedir por mim.
Lá em baixo, vejo a mesma paisagem. As luzes têm várias tonalidades. Talvez na natureza nem existam cores definidas, nem preto nem branco. Mas no meu entendimento humano, com toda a minha pequenez tacanha e imperfeita, não consigo conceber o cosmos de outra maneira.
Apaguei as luzes do carro, e apenas via ao longe a luz ténue de um carro de namorados, que bem aproveitavam a noite morna. Ao lado olhei para a avó, que libertava um olhar vivo que não via há bastante tempo.
- Gostas deste sítio? - perguntei eu.
- É fantástico! Que vista!
Atrás da erva ondulante, mostravam-se os montes dos subúrbios, onde as luzes denunciavam aquelas toponímias que habitamos e que, ao mesmo tempo, fingimos não conhecer.
- É uma bela vista! - deleitou-se a avó.
- O que é que tudo isto te faz lembrar? - perguntei eu.
- Não sei. É uma cidade. - comentou, laconicamente.
- Pois a mim - anunciei, trinfalmente - parece um ser vivo. Os carros movem-se como o sangue nas veias e as luzes das casas são como as células; é como se cada uma iluminasse uma família diferente.
- Bem visto - rematou a avó, rodando a cabeça para melhor contemplar todo aquele presépio suburbano.
Saquei um livro, aquele livro que trouxe da biblioteca, e principiei a ler. Soluçando, tentei traduzir em voz alta para a avó ouvir. O texto referia-se à pintura do Palácio Público de Siena, Alegoria do Bom Governo, de Ambrogio Lorenzetti. Trata-se de um fresco que representa uma cidade coesa, onde os vários edifícios têm a mesma traça, os espaços públicos são acessíveis a todos e, ao redor da cidade, distinguem-se as searas que a alimentam.
Olhando ao meu redor, via uma cidade desesperançada, quase antagónica à Alegoria do Bom Governo, onde, apesar de tudo, os carros levam as pessoas saciadas do Dolce Vita Tejo. Mas os montes, iluminados parcialmente, anunciam um campo que já não é campo e uma cidade fragmentada entre alegrias e desventuras, condomónios privados e bairros sociais. Apesar da grandiosidade de um espectáculo pouco humano visto de cima, distingui, aqui e ali, a casa onde estariam amigos que fui conhecendo desde que sou gente: o Lamas, a Mafalda, as gémeas Rita e Cristina Martins, e o Carlos Azevedo. Pensei que na quantidade de pessoas conhecidas e desconhecidas que estaria naquela paisagem, ocultas sob aquela constelação de pontos luminosos.
Olhando para a avó, tentei imaginar o que é que o meu avô me teria para contar naquele momento. Com ele partilhara vários pôr-do-sol naquele sítio. Era frequente acompanhá-los como casal, ouvir as histórias de infância e as memórias mais ou menos presentes. Tal como eu estava a fazer naquele momento, o avô lia quando esperava pelas indecisões de uma avó livre e artística. E depois partilhava as suas leituras e as inquietações com quem estava junto dele, família ou amigos. E eu tive o privilégio de estar junto dele muitas vezes, e de confidenciar parte do meu crescimento.
Se o avô estivesse no lugar onde estava sentado, e eu no banco de trás, talvez me falasse da energia de fusão nuclear. Ou das manchas solares de hélio. Ou nos anos-luz de estrelas que a NASA descobriu no último ano. Mas naquele sítio, àquela hora, provavelmente o avô falar-me-ia da filosofia clássica, na Escola de Atenas, de Aristóteles e Platão, da suma Beleza, da suma Bondade, da Justiça e da Verdade a que o Habermas se referia. E depois, dir-me-ia que quando partisse, estaria no Céu a pedir por mim.
Lá em baixo, vejo a mesma paisagem. As luzes têm várias tonalidades. Talvez na natureza nem existam cores definidas, nem preto nem branco. Mas no meu entendimento humano, com toda a minha pequenez tacanha e imperfeita, não consigo conceber o cosmos de outra maneira.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Este não é um texto de Amor
Muito tempo passou desde a última vez que escrevi neste nosso canto da nuvem. Diria até que não o consulto há bastante tempo, o que faz de mim um péssimo blogger. Mas espero não ter sido essa a minha postura fora da nuvem. Espero mesmo que a falta de vontade de escrever não tenha colidido com o mundo fora da minha caixa de ecrã que teima em acumular poeira e ferrugem, e cujo esquecimento já me entorpeceu os dedos no teclado.
Sinto que o afastamento da escrita deve-se ao facto de estar próximo de ti, a ponto de me exprimir e de te ouvir, trocarmos carícias e afectos, olhares e suspiros. Mas agora que estamos longe, a escrita surge como a materialização de algo que as palavras ditas deixam passar. Será isso mau? Não me parece. De facto, todas as formas de comunicação surgem de desejos reprimidos. Quanto um homem se frustra a veicular o sentimento e a razão, inventa uma nova forma de expressão - um vocábulo, um idioma, um género artístico ou um meio de comunicação. E é assim que a civilidade se aprimora; buscamos de certo modo sublimar-nos e livrar-nos da nossa condição.
Devo dizer-te, nem que seja por escrito, que ensinaste-me a sonhar, dentro e fora dos portões daquela quinta, dentro e fora do nosso Amor. Vejo, a cada dia que passa, uma floresta a ser arrasada sem dó nem piedade, para que quando se plante uma árvore nós rejubilemos. Trata-se da ordem das coisas, do mero acaso, mas por vezes também é fruto da fé no progresso e na ganância. Depois vem a Starfucks tirar-nos o sentimento de culpa do café que bebemos e dos dólares que pagámos, por causa da árvore solitária que plantaram por nós. Vêm ainda os agiotas dos jornais e dos merdia para espalhar a notícia da árvore plantada onde antes havia uma floresta, para animar o povão. Talvez, dirás tu, seja essa a condição humana. Dirás também que, na nossa vida, nos devemos defender do pessimismo e do fatalismo e contentar-nos com a árvore que recuperaram. Mas tu és aquela pessoa que me faz acreditar que, se plantaram uma árvore, nós plantaremos a segunda. Ou a terceira...
Desculpas há muitas, bem sei. Foi a Faculdade. Foi a ida a Paris, a sessão de cinema de Bestas do Sul Selvagem, os almoços no Palácio dos Anjos. Foi, posso dizer, a segurança que me dás no dia-a-dia, o sorriso matinal com que me brindas nas paragens vítreas de Algés, o(s) jantar(es) no conforto caseiro, a cumplicidade, intimidade e a pele-com-pele da noite tépida e serena. Tornaste-te tão fundamental como eu nem sequer imaginei, e não quero que isso passe desapercebido. Nem no dia-a-dia apressado, nem no meu discurso de aniversário da Quinta de São Francisco.
Sinto que o afastamento da escrita deve-se ao facto de estar próximo de ti, a ponto de me exprimir e de te ouvir, trocarmos carícias e afectos, olhares e suspiros. Mas agora que estamos longe, a escrita surge como a materialização de algo que as palavras ditas deixam passar. Será isso mau? Não me parece. De facto, todas as formas de comunicação surgem de desejos reprimidos. Quanto um homem se frustra a veicular o sentimento e a razão, inventa uma nova forma de expressão - um vocábulo, um idioma, um género artístico ou um meio de comunicação. E é assim que a civilidade se aprimora; buscamos de certo modo sublimar-nos e livrar-nos da nossa condição.
Devo dizer-te, nem que seja por escrito, que ensinaste-me a sonhar, dentro e fora dos portões daquela quinta, dentro e fora do nosso Amor. Vejo, a cada dia que passa, uma floresta a ser arrasada sem dó nem piedade, para que quando se plante uma árvore nós rejubilemos. Trata-se da ordem das coisas, do mero acaso, mas por vezes também é fruto da fé no progresso e na ganância. Depois vem a Starfucks tirar-nos o sentimento de culpa do café que bebemos e dos dólares que pagámos, por causa da árvore solitária que plantaram por nós. Vêm ainda os agiotas dos jornais e dos merdia para espalhar a notícia da árvore plantada onde antes havia uma floresta, para animar o povão. Talvez, dirás tu, seja essa a condição humana. Dirás também que, na nossa vida, nos devemos defender do pessimismo e do fatalismo e contentar-nos com a árvore que recuperaram. Mas tu és aquela pessoa que me faz acreditar que, se plantaram uma árvore, nós plantaremos a segunda. Ou a terceira...
Desflorestação na Amazónia. Haverá meio termo entre ser conivente e fazer a diferença?
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Dos espaços em branco
Devo dizer-te que tenho pensado várias vezes sobre o peso das tuas últimas palavras neste blog e na forma como me emocionaram, bem como nos acontecimentos das últimas semanas praticamente ao ponto de me impedirem de responder à altura. Confesso-te que na minha cabeça imaginei várias formas de te escrever de volta ou simplesmente de te surpreender com algo, apenas para constatar que os dias se acumulavam e que este nosso pequeno espaço partilhado permanecia em branco de forma infame da minha parte. É certo que mantivemos o nosso contacto e que várias coisas aconteceram deste lado da barricada entretanto, sendo os meus últimos dias por Nottingham um atestado dessa pequena esquizofrenia contida, contudo nada disto me basta realmente como justificação perante ti.
Quero que saibas que me sinto cheia, completa ao teu lado. Verdadeiramente una apenas quando estou contigo e constantemente admirada pela forma como te superas no dia a dia. Como te excedes não só nas tuas ambições (que apenas são desmedidas para quem não conhece aquilo que és capaz) mas também naquilo que entregas aos outros e ao universo que te rodeia, seja a nível emocional, intelectual ou até mesmo espiritual... seja no interesse crítico que tens em mudar o mundo à tua volta, pela fé trabalhada, pelas escapadelas ousadas de arco e flecha ou golfe urbano em telhados, pela tua dedicação à família, pela tua “mens sana in corpore sano", pelo teu talento que se revela melhor onde te dedicas de corpo e alma. Cada vez que penso que não podes entregar-te ou amar mais, tu provas o contrário... e sinto-me sempre inacreditavelmente privilegiada por partilhares uma parte especial de tudo isso comigo. Sabes que não digo nada disto de modo leviano mas terás de me desculpar a continência verbal prolongada porque talvez me esqueço de te dizer mais vezes aquilo que vejo em ti todos os dias.
Hoje foi um dia curiosamente pacato no meio das suas burocracias, apenas porque pude mostrar Nottingham calmamente à Madalena e deixá-la a vaguear enquanto eu tratava dos meus afazeres. Certo é que parámos para almoçar num restaurante italiano com um menu partilhado de nos encher a barriga e, no meio deste cenário, não só disfrutámos de um belo serão gastronómico como uma das conversas mais interessantes dos últimos tempos em termos de reflexão introspectiva mútua. A conversa tanto derivou para os traços de família e para as nossas diferenças e semelhanças partilhadas como inevitavelmente sobre os nossos namoros, até chegarmos à singular conclusão que tínhamos tido “discussões” semelhantes e que (num pequeno microcosmos intimista) as opiniões dela eram as tuas traduzidas e que as minhas correspondiam às do António. Talvez seja estranho pôr a coisa deste modo, mas de repente comecei a ouvir a minha irmã quase como se te estivesse a ouvir a ti, por mais longínqua que esta parecença de carácter esteja à primeira vista. É engraçado, gostei genuinamente de falar com ela sem pressas ao fim de todo este tempo, mas principalmente voltei a rever com outros olhos aquilo que achava que já tinha avaliado de todos os prismas.
Não se trata de falta de entrega ou de amor e não quero que o calor das tuas acções e emoções sejam alguma vez mitigados pela minha forma de ser. Trata-se de te tratar da forma excepcional que tu me tratas e que como verdadeiramente és. Julgo que não se trata de eu ter errado em algo particular. Trata-se de quebrar as expectativas e de te surpreender como tu fazes comigo, contigo, com tudo o que te rodeia. Exerces uma importância fundamental para mim que eu não quero da por garantida mas preciso também que relativizes por vezes um pouco as pequenas coisas, não por não terem importância, mas porque raramente são demonstrativas do que realmente sinto por ti.
Sei que contexto da ausência não ajuda porém sinto que, independentemente da turbulência pelo meio, crescemos. E sabe deus como falta pouco para o reencontro.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
post-scriptum
Sinto-me feliz por estares a aproveitar Nottingham ao máximo nestes últimos dias. Tens sido, pelo menos para mim, a prova inspiradora de que não é preciso ir-se propriamente à Escócia para arranjar programas aliciantes - quando eles abundam dentro da urbe. Para além de que terás mais que tempo para ir ao resto da ilha; só gostaria de um dia poder ser eu a ajudar-te nessa tarefa árdua.
Aproveita ao máximo os teus últimos tempos, saindo aos sítios com o melhor vinho da cidade (porque não havia disso em Lund, por exemplo), com os grupos mais interessantes. Nos momentos de maior introspecção, não deixes de desenhar a fauna local que atravessa a passadeira, espera o autocarro ou acampa no jardim durante as tardes de sol. Estou contente por ti e tenho a certeza que a tua irmã vai adorar a recepção e rematar a estadia com muito estilo. Beijo saudoso.
(Chatsworth na imagem)
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