Muito tempo passou desde a última vez que escrevi neste nosso canto da nuvem. Diria até que não o consulto há bastante tempo, o que faz de mim um péssimo blogger. Mas espero não ter sido essa a minha postura fora da nuvem. Espero mesmo que a falta de vontade de escrever não tenha colidido com o mundo fora da minha caixa de ecrã que teima em acumular poeira e ferrugem, e cujo esquecimento já me entorpeceu os dedos no teclado.
Sinto que o afastamento da escrita deve-se ao facto de estar próximo de ti, a ponto de me exprimir e de te ouvir, trocarmos carícias e afectos, olhares e suspiros. Mas agora que estamos longe, a escrita surge como a materialização de algo que as palavras ditas deixam passar. Será isso mau? Não me parece. De facto, todas as formas de comunicação surgem de desejos reprimidos. Quanto um homem se frustra a veicular o sentimento e a razão, inventa uma nova forma de expressão - um vocábulo, um idioma, um género artístico ou um meio de comunicação. E é assim que a civilidade se aprimora; buscamos de certo modo sublimar-nos e livrar-nos da nossa condição.
Devo dizer-te, nem que seja por escrito, que ensinaste-me a sonhar, dentro e fora dos portões daquela quinta, dentro e fora do nosso Amor. Vejo, a cada dia que passa, uma floresta a ser arrasada sem dó nem piedade, para que quando se plante uma árvore nós rejubilemos. Trata-se da ordem das coisas, do mero acaso, mas por vezes também é fruto da fé no progresso e na ganância. Depois vem a Starfucks tirar-nos o sentimento de culpa do café que bebemos e dos dólares que pagámos, por causa da árvore solitária que plantaram por nós. Vêm ainda os agiotas dos jornais e dos merdia para espalhar a notícia da árvore plantada onde antes havia uma floresta, para animar o povão. Talvez, dirás tu, seja essa a condição humana. Dirás também que, na nossa vida, nos devemos defender do pessimismo e do fatalismo e contentar-nos com a árvore que recuperaram. Mas tu és aquela pessoa que me faz acreditar que, se plantaram uma árvore, nós plantaremos a segunda. Ou a terceira...
Desculpas há muitas, bem sei. Foi a Faculdade. Foi a ida a Paris, a sessão de cinema de Bestas do Sul Selvagem, os almoços no Palácio dos Anjos. Foi, posso dizer, a segurança que me dás no dia-a-dia, o sorriso matinal com que me brindas nas paragens vítreas de Algés, o(s) jantar(es) no conforto caseiro, a cumplicidade, intimidade e a pele-com-pele da noite tépida e serena. Tornaste-te tão fundamental como eu nem sequer imaginei, e não quero que isso passe desapercebido. Nem no dia-a-dia apressado, nem no meu discurso de aniversário da Quinta de São Francisco.
Sinto que o afastamento da escrita deve-se ao facto de estar próximo de ti, a ponto de me exprimir e de te ouvir, trocarmos carícias e afectos, olhares e suspiros. Mas agora que estamos longe, a escrita surge como a materialização de algo que as palavras ditas deixam passar. Será isso mau? Não me parece. De facto, todas as formas de comunicação surgem de desejos reprimidos. Quanto um homem se frustra a veicular o sentimento e a razão, inventa uma nova forma de expressão - um vocábulo, um idioma, um género artístico ou um meio de comunicação. E é assim que a civilidade se aprimora; buscamos de certo modo sublimar-nos e livrar-nos da nossa condição.
Devo dizer-te, nem que seja por escrito, que ensinaste-me a sonhar, dentro e fora dos portões daquela quinta, dentro e fora do nosso Amor. Vejo, a cada dia que passa, uma floresta a ser arrasada sem dó nem piedade, para que quando se plante uma árvore nós rejubilemos. Trata-se da ordem das coisas, do mero acaso, mas por vezes também é fruto da fé no progresso e na ganância. Depois vem a Starfucks tirar-nos o sentimento de culpa do café que bebemos e dos dólares que pagámos, por causa da árvore solitária que plantaram por nós. Vêm ainda os agiotas dos jornais e dos merdia para espalhar a notícia da árvore plantada onde antes havia uma floresta, para animar o povão. Talvez, dirás tu, seja essa a condição humana. Dirás também que, na nossa vida, nos devemos defender do pessimismo e do fatalismo e contentar-nos com a árvore que recuperaram. Mas tu és aquela pessoa que me faz acreditar que, se plantaram uma árvore, nós plantaremos a segunda. Ou a terceira...
Desflorestação na Amazónia. Haverá meio termo entre ser conivente e fazer a diferença?
.jpg)