ontem tive um déja-vu da capela do King's College e do poder que aquele momento teve para mim. contigo ao lado, todos os sentidos fervilhavam ao mesmo tempo, e tudo parecia certo. não me refiro à abóbada flamejante nem vitral que ia escurecendo. parecia que, lá fora, tudo era sujo e baco, a comecar pelo céu negro, enquanto que naquele lugar tudo era de uma pureza vítrea. era a docura das velas e o sentimento de partilha com todos os que ali se sentavam nas cadeiras do côro. é algo que não sinto num concerto de rock ou no iPod e que, noutras ocasiões fica lost in translation. Quando uso esta expressão. não me refiro aos problemas linguísticos da Scarlett, mas à perda de um significado quando nos voltamos de costas para aquilo e aqueles que nos rodeiam, ao egoísmo fetichista que me é imposto por andar de carro, entre outras coisas do quotidiano. O sentimento de partilha que ali sentia é talvez coparável com aquele que sinto com os meus vizinhos vietnamitas: não precisamos da fala para comunicarmos ou para nos respeitarmos mutuamente. o que sentia ali trascendia as paredes, o espaco e a luz, até porque também sinto na minha cave escura e fria.
aquele momento teve um significado para mim, talvez não exactamente aquele que as letras dos salmos desejariam. precisamente, tinha-te ao lado. beijei-te na igreja porque queria sentir o teu toque naquele momento, mas ao mesmo tempo (e talvez me engane) parecia que o que me ia em mente estava "simetricamente coordenado" contigo. Saint Éxupery escreveria que "olhávamos na mesma direccão".
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