sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Impressao nao catalogada




Sento-me na solidão da casa e por alguma razão apenas esta constatação sabe-me profundamente bem hoje, como se possuísse qualquer forma de controlo abstracto sobre as coisas que me rodeiam, nem que seja apenas pela serenidade que me transmitem (ora aí está, como tu bem fizeste notar, uma noção muito minha). A música preenche-me os ouvidos e a alma sob os auscultadores e por alguma razão dou-me conta que tinha saudades de estar a sós comigo mesma, nem que apenas mentalmente, quanto nem na nossa cabeça temos espaço para nós perante os horários e entregas. Ultimamente é Jack White quem me leva a esse intimismo com a guitarra, sem qualquer pretensão de algo mais, e quando tenho tempo para ouvir as tuas escolhas musicais (sempre incrivelmente depuradas sem dúvida, uma lista que aumenta constantemente no meu espólio e que prezo com reverência inestimável), fico-me com a peça de Louis Sphor que até agora nem teria ouvido falar. Comprei manteiga e fiambre no indiano aqui do lado e no caminho trouxe um Mateus rosé que me deu uma felicidade alheia de contornos mais caseiros. Porém, a absorção em todos este pequenos pormenores não me desviam do pensamento de fundo, da ideia que nosso encontro é cada vez mais nítido e está a um dia de distância. A uma manhã em Londres de distância, o que é ainda mais peculiar.

O dia correu bem, fui finalmente  à mítica aula teórica e acabei fascinada pela presença deste meu professor e desta minha cadeira que até agora tinha metido em segundo plano. Aqui dá-se de tudo um pouco para contextualizar a “cultura visual”, desde a transição para a cultura industrial até aos primórdios do cinema - não é surpresa que ele passe por todos estes temas, apenas o modo como o faz no meio de puro cinismo britânico no seu melhor. Com charme até e isso é dizer muito para uma aula teórica que ocupa a sexta feira das 10h da manhã às 14h da tarde. De resto, eu própria tento fazer a minha catarse após os últimos dias da maneira mais básica e primordial que me lembro: tendo uma boa refeição adiada e dormindo uma senhora sesta chegada a casa após a apresentação. Não pretendo levantar demasiado o véu sobre um dos sítios aos quais de pretendo levar sem dúvida alguma pelo ambiente e familiaridade, mas posso dizer-te que o serão com as raparigas soube muitíssimo bem e que comi dos melhores hamburgers caseiros dos últimos tempos (uma combinação com queijo de cabra, batatas igualmente caseiras e a omnipresente cerveja). De resto cheguei ontem a casa pesada, caíndo na cama sem vergonha ou pretexto até às 22h, altura em que te liguei - e como se diz, o resto é história.

Agora irei a uma inauguração no museu de arte contemporânea de Nottingham, para dar algum crédito ao meu “euzinho diletante e pseudo intelectual” negligenciado nestes dias, e talvez haja tempo para um copo à noite depois disso desde que não comprometa a minha saída às 6h da manhã pura. Que te posso dizer? Espero que te encontres bem, de mala aviada já agora, para que possa aguardar a tua chegada no aeroporto amanhã com tudo a que há direito. Este é portanto um até logo.

Grande beijo


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