Agora que paro finalmente para me sentar e dar colheradas silenciosas na sopa quente, num daqueles dias que parecem não ter tido fim, sinto de facto que a minha cabeça está em construção. Um ligeiro latejar que acalma com a comida e a luz suave, apazigua as 12h horas ininterruptas de burocracias e ainda um bocado de desenho de modelo vivo para desintoxicar ao final do dia. O frio na rua no entanto é brutal e, acaso houve algum sol radiante, foi mesmo aquele que te falei de manhã e que me acompanhou à saída de casa, onde o gelo duro dos passeios deu-me a certeza que derraparia mais cedo ou mais tarde (pelo menos a queda ficou adiada para outro dia). De resto foi o mesmo frio e o mesmo tempo acinzentado mal cheguei ao centro da cidade e, agora que penso nisso, talvez estes tenham acompanhado o meu estado de afazeres ao longo do dia. Aquela breve satisfação inocente de caminhar nas ruas cobertas e neve e haver algum céu limpo, seguidas das horas a andar de departamento em departamento sem parar ou a mandar emails extensivos sob a coberta da biblioteca. Ainda que agora espere respostas, pelo menos sinto que hoje fiz tudo o que humanamente podia fazer ao meu alcance para despachar os empecilhos adiados: a possibilidade de alterar as datas de regresso, as ginásticas para conseguir as equivalências necessárias, e até a batalhada logística das cadeiras que supostamente ficarão agora repostas em 48h. No meio de todo este caos só a tua voz serena de manhã para me dar algum ânimo e energia.
De resto aproveito para exibir um dos meus ilustradores favoritos do momento, andrew archer.


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