Esta pode não ser uma carta propriamente dita mas verás que permaneço com a minha escrita caótica (ainda que sem a caligrafia rasurada), sob a forma de blogue partilhado que quase poderia dispensar as apresentações. A verdade é que, por mais que isto soe permanentemente uma desculpa para algo que ficou incompleto, eu tenho um carinho bastante grande pelas coisas que partilhamos sendo este projecto algo que já tinha em modo embrionário na minha cabeça por algum tempo. O facto de tu estares aí em Lund (55.7028° N, 13.1931° E) e eu aqui em Nottingham (52.9700° N, 1.1800° W), apenas separados por umas quantas coordenadas de distância e uma hora de diferença, só me dá uma vontade mais premente de te descrever as minha experiências da mesma forma que espero o mesmo de ti. Comprei há uns dias um novo caderno, ainda incerta se seria um diário de viagem/estadia, um conjunto de registos gráficos e desenhos, ou um misto de ambos. Assim sendo penso que posso usar este espaço, que apesar de tudo se afasta da virtualidade mais fria de um skype ou facebook ou orkut, para ser o meu repositório intimista de experiências - e o teu também.
É pois uma carta aberta mas é também uma janela. Repara que aqui a janela não se escancarou completamente, mas ficou antes entreaberta, por um par de razões. A primeira é porque, ao contrário da honestidade escandinava em mostrar os interiores das suas casas por completo (principalmente na escuridão da noite, quando o interior se mostra muito mais acolhedor e quente que as ruas frias no outono), os ingleses de cá costumam manter as cortinas fechadas apesar das grandes fachadas de característica tijoleira e janelas rasgadas - este é assim um meio termo. A segunda razão por detrás desse “entreaberto” é porque me parece sempre sugerir um convite para entrar, pelo menos nas entrelinhas. Uma janela totalmente fechada rejeita, uma aberta de par em par também se esgota rapidamente. Não se deixa conhecer, não intriga, não sussurra. E tu sabes bem como eu me deixo fascinar por essas qualidades seja em pessoas, cidades ou, neste caso, janelas.
Daí que no meio esteja o princípio destes nossos relatos e ainda o princípio das nossas estadias (apesar de já por aí pairares há praticamente um mês). A imagem também não é completamente avessa e encontrei-a nos despojos da minha fotografia analógica de um sítio que considerarás suspeito: Paris. Em meio de uma rua estava um piano e já na altura achei que a imagem continha em si uma poesia indiscritível que agora me pareceu, de algum modo, adequada a este propósito.
bacci (agora e sempre)
É pois uma carta aberta mas é também uma janela. Repara que aqui a janela não se escancarou completamente, mas ficou antes entreaberta, por um par de razões. A primeira é porque, ao contrário da honestidade escandinava em mostrar os interiores das suas casas por completo (principalmente na escuridão da noite, quando o interior se mostra muito mais acolhedor e quente que as ruas frias no outono), os ingleses de cá costumam manter as cortinas fechadas apesar das grandes fachadas de característica tijoleira e janelas rasgadas - este é assim um meio termo. A segunda razão por detrás desse “entreaberto” é porque me parece sempre sugerir um convite para entrar, pelo menos nas entrelinhas. Uma janela totalmente fechada rejeita, uma aberta de par em par também se esgota rapidamente. Não se deixa conhecer, não intriga, não sussurra. E tu sabes bem como eu me deixo fascinar por essas qualidades seja em pessoas, cidades ou, neste caso, janelas.
Daí que no meio esteja o princípio destes nossos relatos e ainda o princípio das nossas estadias (apesar de já por aí pairares há praticamente um mês). A imagem também não é completamente avessa e encontrei-a nos despojos da minha fotografia analógica de um sítio que considerarás suspeito: Paris. Em meio de uma rua estava um piano e já na altura achei que a imagem continha em si uma poesia indiscritível que agora me pareceu, de algum modo, adequada a este propósito.
bacci (agora e sempre)

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